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Radiotransparência da tuberosidade tibial canina: qual é o significado desse achado?

Radiotransparência da tuberosidade tibial canina: qual é o significado desse achado?

Você já se deparou com uma área radiotransparente na região proximal da tíbia ao avaliar radiografias do joelho canino? Se sim, possivelmente se perguntou se esse achado teria alguma relevância clínica.

Para responder a essa pergunta, os pesquisadores Matthew Paek, Julie B. Engiles e Wilfried Mai, da Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia (EUA), publicaram em 2013 um estudo na revista Veterinary Radiology & Ultrasound, que contém uma investigação em duas frentes: um estudo retrospectivo de prevalência e associação clínica, e um estudo histopatológico em cadáveres. Vamos conhecê-lo?

O que é a radiotransparência da tuberosidade tibial?

A radiotransparência da tuberosidade tibial (RTT) é uma área de menor radiopacidade observada na região cranioproximal da tíbia em radiografias mediolaterais da articulação femorotibiopatelar. Os autores classificaram em três graus de severidade conforme o aspecto radiográfico: leve (radiotransparência puntiforme), moderada (radiotransparência maior e relativamente mais definida) e marcada/acentuada (radiotransparência grande, bem definida e arredondada).

Alguns exemplos de variação da apresentação da RTT. A: RTT ausente. B: RTT leve. e C: RTT moderada.

Resultados do estudo

  • Prevalência de 21,5% nos cães avaliados.
  • Achado majoritariamente bilateral (96,2%).
  • Forte associação com luxação patelar medial (aumento de cerca de 10x na chance de apresentação da afecção).
  • Mais comum em raças toy (41,5%), pequenas (26,8%) e médias (31,3%), em comparação com raças grandes (16,5%) e gigantes (4,9%). 
  • Entre as raças de maior porte, destacaram-se o Bulldog Inglês, o Boxer, o Labrador Retriever e o Pit Bull Terrier.
  • Não foi encontrada relação entre a severidade da RTT e o grau da luxação patelar.
  • Na tomografia computadorizada a RTT foi descrita como área cortical hipoatenuante na face lateral da tuberosidade tibial. Região próxima à fise da tuberosidade e que não corresponde a locais de inserção ligamentar ou de tendões. 
  • Na avaliação histopatológica, as áreas radiotransparentes corresponderam a defeitos corticais associados a focos de cartilagem hialina aberrantes, sugerindo retenção da cartilagem hialina.

Correlação não é causalidade

Apesar da forte correlação da RTT com a luxação medial da patela, é fundamental destacar que o estudo não estabeleceu uma relação de causa e efeito. Os autores propõem duas hipóteses para explicar essa associação:

  1. A RTT pode ser consequência das alterações conformacionais da luxação patelar medial. As deformidades tibiais associadas à luxação, como o deslocamento medial da tuberosidade tibial e o varo proximal, podem gerar forças compressivas anormais sobre a fise da tuberosidade tibial durante o desenvolvimento esquelético. 
  2. A RTT e a luxação patelar podem ser manifestações independentes de uma mesma predisposição. As anormalidades morfológicas subjacentes poderiam predispor de forma independente tanto ao desenvolvimento da RTT quanto à luxação patelar medial.

Conclusão

A RTT não é uma lesão óssea agressiva, é resultado da retenção da cartilagem hialina da fise da tuberosidade tibial, e está associada a maior ocorrência da luxação patelar medial, principalmente em raças de pequeno porte.


Referência:

Paek, M.; Engiles, J. B.; Mai, W. (2013). Prevalence, association with stifle conditions, and histopathologic characteristics of tibial tuberosity radiolucencies in dogs. Veterinary Radiology & Ultrasound, 54(5), 453–458. https://doi.org/10.1111/vru.12047

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Autora
MV Alice Chaves Jorge — CRMV-SP nº 53.226

Médica veterinária graduada pela UNESP de Botucatu, com especialização em radiodiagnóstico e residência em diagnóstico por Imagem. Atua em telerradiologia na PetRadio.

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